Circulo Vicioso
domingo, 14 de setembro de 2008 por Maria Clara
Mais uma de 1962, da Da. Magdalena Silva Bozzeda.
As eleições se aproximam. Os candidatos já estão vestindo suas máscaras, para iludir as massas. Casa qual procura colocar a máscara mais vistosa, para melhor sugestionar. Sempre os mesmos discursos cheios de promessas de um futuro promissor. Já é tempo senhores políticos, de despirem esses disfarces hipócritas e mostrarem ao povo o que realmente são. Já estamos cansados de tanta promessa inútil.
Para o povo, não importa que suba Pedro ou Paulo, pois se ele quiser viver, terá que trabalhar duro, para ganhar o pão de cada dia. O que o povo quer de todo coração, são homens honestos e compenetrados de seus deveres. Que trabalhem para a coletividade e não em proveito de seus interesses, ou de meia dúzia de seus afilhados, ambiciosos e egoístas, que mesmo possuindo meios para viver confortavelmente, procuram ainda obter empregos públicos, para exaurir ainda mais a verba da nação.
As repartições estão cheias de funcionários, estão superlotadas, mas em época de eleição repartição é como coração de mulher, “há sempre lugar para mais um”.
Desse jeito meus caros políticos o Brasil vai mesmo é pro buraco. Vocês pensam que é só proteger a burguesia, com empregos? Isto é resolver a situação da minoria, dos que na realidade tem com que se defender. O que urge resolver sem mais tardança, é o problema do custo de vida, afim de que o pobre possa viver. Há um ditado que diz “O pobre vive de teimoso” e essa infelizmente é a realidade. Andando por ai e examinando de perto a situação das massas, ficamos pasmados com tanta miséria e tamanho abandono, e perguntamos:
- Como vive essa gente?
É inconcebível que em um país de fartura como o nosso, haja seres morrendo a míngua.
E como resolver o problema? A nossa situação é um perfeito círculo vicioso. Sobe o salário sobe o custo de vida, sobre o custo de vida sobe o salário, e isso não tem mais fim. Salário minha gente, resolve problema dos funcionários e de operários das grandes cidades, mas o trabalhador rural, o empregado das pequenas indústrias, das cidades em que o comércio é fraco e o empregador não ganha o suficiente para pagar o salário mínimo, a situação é alarmante. O patrão não podendo pagar o salário estipulado pela lei, dispensa o empregado, e este como poderá viver e sustentar a família. Se for conformista pedirá auxílio à caridade pública, mas na maioria das vezes, torna-se um ser revoltado contra tudo e contra todos. E com razão minha gente. Ninguém vive de promessa e de idealismo, quando o estômago está vazio reclama alimento.
Tenho notado por toda parte, uma atmosfera de temor contra o comunismo… Mas, todos se esquecem que são os subnutridos, os que vêem seus filhos implorar um pedaço de pão e não possuir meios de satisfazê-lo, ou chorar de frio e não poder agasalhá-lo, os que se apegam ao comunismo como tábua de salvação, iludidos ainda, que este resolverá o seu problema. Pobre humanidade, não é o comunismo, que vos salvará. Os homens atualmente são todos iguais, cada qual vive para si, ninguém se incomoda com o próximo. Todos pensam subir, tornar-se um líder, ser grande nada mais. Os que mais prometem menos fazem.
O que precisa mudar não é a forma de governo, é o caráter, a personalidade dos nossos dirigentes. Não quero dizer com isso, que todos são desonestos ou sem personalidade, mas infelizmente restam poucos que ainda pensam em seus semelhantes. Enquanto não for extirpada do homem essa terrível fera da “ambição”, não haverá filosofia ou forma de governo que salve o Brasil.
Será preciso que essa meia dúzia de homens de boa vontade, que ainda possuem seu caráter integro, lute de corpo e alma para salvar o povo, e acabar com os homens sem escrúpulos, que só querem acumular riquezas, esquecendo que existem milhares e milhares de brasileiros morrendo de fome.
Tudo depende de vós, homens de lei…
Quando estiverdes no alto do pedestal, olhai bem para baixo e vereis a miséria ceifando vidas preciosas. Nessa hora esqueçais no vosso EGO, e ergueis um pouco mais o nível de vida dessa gente, que já não vive, mas vegeta aqui na terra…
MSB/1962

