Coisas da Vida
sábado, 13 de setembro de 2008 por Maria Clara
Esta é mais uma crônica de minha mãe, Magdalena Silva Bozzeda, escrita no ano de 1961.
O mundo está muito mudado é a conclusão que chegam as pessoas mais antigas. O homem moderno é cheio de complexos, de neuroses, é uma alma demasiadamente confusa, que nunca sabe o que quer; vive em conflito consigo mesmo.
Cada dia uma nova idéias surge em sua mente, uma nova paixão o domina, e quando consegue concretizar aquele seu ideal, cai na mais crua indiferença. Parece que aquilo que tanto desejava em vez de fazê-lo feliz o torna mais infeliz… Mas por quê? Porque ninguém é feliz com o que possui, sempre ambiciona mais, se hoje ele consegue alcançar a lua, amanhã quererá alcançar as estrelas.
A maior preocupação dos nossos dias é a segurança econômica, o bom aspecto, a riqueza e o prestígio social. Todo mundo teme torna-se ridículo, ser menosprezado porque não possui, por exemplo, uma casa bem montada, como a de seu amigo e a qualquer custo, ele quer imitá-lo, se não consegue, então se revolta. Essa revolta, esse ódio pessoal, torna-se então ódio ao próximo.
Não podendo conseguir o que ele almeja, acha que ninguém deve também consegui-lo, é uma alma rebelada e torna-se um crítico, usando uma falsa filosofia, censurando os outros e não a si próprio pelas suas misérias.
O homem moderno, quase não tem amigos, pois ele vê sempre no seu próximo não um irmão, mas um antagonista. Não será isso orgulho?
Ele acha que não precisa dos outros, vive fechado no seu orgulho, com suas riquezas, não procurar viver bem com seu próximo, sempre acha que o patrimônio de seu vizinho é algo que foi arrebatado de si injustamente e daí surgem às críticas e as maledicências.
Os antigos diziam: - “O dinheiro é a perdição do mundo e das almas”.
Pois a matéria divide, e o espírito une; e o homem moderno, pensa mais nas coisas materiais no que nas coisas concernentes ao espírito.
Enquanto o homem estiver vivendo com o único objetivo, acumular riquezas, aquisição de coisas materiais, não haverá paz, mas aumento de inveja, cobiça e, por conseguinte desordem mundial. A descoberta da energia atômica tirou de nossas mentes a finalidade de nossas existências.
As explosões materiais das bombas no espaço transmitem em nosso ser, uma explosão espiritual, que é bem mais perigosa, que a bomba atômica.
Enquanto o homem não achar paz dentro de si mesmo, as guerras os conflitos continuarão avassalando o mundo, até a própria destruição…
Não sou profeta, nem tão pouco pregador de moral ou coisa semelhante, sou apenas uma mulher que como vocês, que estão lendo esta crônica, vivem a vida deste século e sente as mesmas ansiedades de todos, chegando à conclusão, que esse estado que se encontra a humanidade atualmente, é o afastamento de Deus. Quanto mais nos afastamos de Deus, mais ansiedade, mais infelicidade teremos e o temor do desconhecido de algo que não se sabe quando, nem onde, aumentará gradativamente até o desespero, até a loucura…
MSB/1961

