Lembranças de Edvar Sampaio
terça-feira, 30 de setembro de 2008 por Maria Clara
Olá pessoal de DNA casabranquense mais recente; olá Maria Clara e Marie (Zica) que estou tendo o prazer de conhecer virtualmente nestes idos de 2007/2008; principalmente a Marie que conseguiu até modificar o meu apelido (nos anos 50/60 era Samps, dado pelo Mauricio Midon devido ao meu sobrenome Sampaio e influenciado pelo recém aprendizado das aulas de inglês do Prof. Silas no Instituto) para Edi.
Depois de um longo e tenebroso inverno (ou seria “inferno”) mental, retorno ao Blog, impulsionado e compulsionado por haver sonhado com a santa terrinha da qual estou distante há 47 anos. Li as mensagens do Tirisco e pela idade (69) talvez o conhecesse apesar de estar mais para a geração do meu falecido irmão Chiquinho Sampaio. O que eu me lembro atrelado ao nome Tirisco, era uma brincadeira que a turma daquela geração fazia com o pessoal que vinha de fora para visitar Casa Branca durante as férias - “caçar Tirisco” - uma espécie de pegadinha que um dia qualquer eu pretendo contar.
O Fórum de Casa Branca situa-se no então chamado Largo da Boa Morte, que antigamente servia como local para circos e parques de diversões. Ali tinha um bebedouro público que a gente usava sempre que voltava à tardinha da ACCP. Mais tarde foi construída também uma cadeia. À noite a gente ia ao Cine Pavilhão (Cine Popular) que também ficava no Largo da Boa Morte. O Cine Pavilhão foi o primeiro cinema da cidade a ter tela em CinemaScope. O filme que inaugurou este novo tipo de projeção foi “O Homem do Terno Cinza” com o Gregory Peck.
O Sr. Francisco Puglia foi prefeito da cidade nos anos 50. Ele era pai do Fernando e Gaspar Puglia. O Fernando foi jogador da SE Palmeiras da capital e foi o primeiro jogador do futebol brasileiro a se transferir para o futebol português. O Gaspar foi o autor da música do hino da cidade Casa Branca Feiticeira, juntamente com o Sr. Pierre Zanchetta que foi o autor da letra.
O Dr. Teófilo Siqueira foi eleito prefeito da cidade em 1961, num pleito em que teve como principal adversário o Sr. Scandar Mussi, que anos mais tarde também se elegeria prefeito. Hoje é o atual prefeito.
O Ganymédes além de ter sido um escritor de renome foi o autor do Brasão da cidade vencedor do concurso realizado nos anos 50. Todas as obras que participaram do concurso ficaram expostas na vitrine das Lojas Abdalla do Sr. João Abdalla.
O Laércio Romano foi presidente da antiga CCE (Comissão Central de Esportes) que em 1961 organizou os Jogos Regionais realizados pela primeira vez em Casa Branca. Lembro-me que ficamos campeões no basquetebol masculino, vencendo na final São João da Boa Vista. O Laércio Romano era uma pessoa muito querida pelo pessoal do esporte que se reunia em frente à loja do Fioravante Cassiolato. Ele foi apelidado carinhosamente de “Soberano” pelo poder de decisão que o cargo de presidente da CCE lhe conferia.
Na passagem dos anos 50 para os 60, a cidade se surpreendeu com a instalação de um semáforo em frente à Farmácia do Dorotheo Barbosa, no cruzamento da Rua da Estação com a Praça da Matriz. Virou até atração turística com a presença de muita gente que ficava apostando “no carro de quem ia dar o vermelho”, pois além das charretes e dos carros de aluguel, existiam pouquíssimos carros particulares e a maioria de pessoas conhecidas. Depois de muitas gozações e piadas, da mesma maneira que misteriosamente foi instalado, o semáforo, ou farol, ou sinaleiro, foi retirado.
O Cine Casa Branca deu azar. Explico: foi construído e inaugurado numa época em que os sinais de TV tinham começado a invadir os lares casabranquenses. Não só o cinema, mas também os encontros da noite no jardim da matriz. Foi concebido para fazer concorrência com os outros dois cinemas mais antigos: Cine Central e o Cine Pavilhão, principalmente o Cine Pavilhão que havia se adequado ao modernismo da tela em CinemaScópio. O Cine Casa Branca foi erguido no terreno onde existia o Jardim da Infância do qual guardo ternas recordações. Um dos grandes filmes que ali assisti foi A Caldeira do Diabo que fez muito sucesso na época. Era para maiores de 18 anos, mas consegui burlar a vigilância. Eu tinha 16 anos. Por falar em vigilância, tinha o Mario Secreta que era o responsável pelo Juizado de Menores. Eta figurinha sinistra.
Ao ver a foto do jardim da Matriz, lembrei-me de um pipoqueiro que todas as noites se instalavam logo ali na entrada. Era chamado de João Padovam, o Rei da Pipoca pelo serviço de auto-falantes “A Voz de Casa Branca” que emanava do coreto para todos os que ali se encontravam. A central do serviço radiofônico ficava ao lado da farmácia do Doroteo e era comandada pelo Lig Laro. A gente pagava certa quantia em dinheiro para dedicar uma música para as meninas que estavam passeando na praça. As músicas de mais sucesso na época eram Only You e Smokey Gets in Your Eyes dos The Platter’s e as músicas do Paul Anka, Elvis Presley e Neil Sedaka.
Para os mais velhos e mais sedentos de paixão tinham as músicas do Nelson Gonçalves e um tremendo sucesso chamado Boneca Cobiçada. Naquela época boneca era sinônimo de broto mais maduro. Os adolescentes se contentavam em chamar as meninas de “brotinho”.

