O Professor Primário
terça-feira, 16 de setembro de 2008 por Maria Clara
Essa crônica foi uma Homenagem ao Professor em 1962.
Uma das profissões que pouco, ou para bem dizer, nenhum valor se dá hoje em dia é a do professor primário. Todos se esquecem, que é nos bancos primários que começam a se formar o homem de amanhã.
É graças à paciência e perseverança do professor primário que vai moldando, aprimorando o caráter daquele entezinho semi-selvagem que entrou para a escola. É graças ao carinho e desvelo da mestra, que aquela mentezinha ainda obscura, começa a se iluminar para a vida e para grandes empreendimentos.
Os Estados Unidos e a Inglaterra são grandes potências, mas podemos verificar que o grau de analfabetismo é mínimo nesses dois paises. Foi depois que se baniu a ignorância da face desses paises que eles progrediram em todos os setores; quer político, econômico ou social.
A transformação não foi também tão repentina como nos parece à primeira vista, essa transformação se deu em cem anos, mas quero frisar, que foi o resultado de dezenas de benfeitores, educadores e políticos. É preciso banir o analfabetismo, para que o povo se torne mais esclarecido e aprenda a pensar por si próprio e saiba diferenciar o charlatão do construtor, o político realizador do político ganancioso que só pensa para si, e finalmente saiba utilizar-se da balança do senso comum.
É ensinando a ler, é educando o povo, mostrando-lhes os direitos e deveres que um país pode progredir. A tirania, a força não resolve o problema das nações, como também a liberdade excessiva é prejudicial. O povo precisa apreender fazer uso da razão, dando mais relevo a noção de deveres e direitos, esse é o ideal. Quando o analfabetismo for quase que totalmente banido de nosso solo creio que nosso país estará também entre as grandes nações do mundo.
Onde não existe luz, não poderá haver trabalho e, por conseguinte progresso, pois ninguém caminha ou trabalha nas trevas… E o saber é luz, luz que dissipa as trevas da ignorância. Quantas inteligências perdidas por esse Brasil a fora, quantos artistas, inventores, cientistas, que poderiam brilhar em nosso cenário, mas que se atrofiam por falta de instrução. A instrução é a maior herança que um pai pode legar a um filho. O analfabeto é pior que um cego, pois possui olhos e não pode ler, por conseguinte não poderá estar a par com o desenvolvimento cultural, político e econômico do mundo, e facilmente será lubridiado por espertalhões e consciências sem escrúpulos.
Duas coisas ocorrem para a indolência do nosso cabloco, a ignorância e a subnutrição, e é isso que o torna um ser aferrado à miséria e incapaz de superar a mediocridade Na casa em que não há instrução falta luz para iluminar aquelas mentes para o progresso para uma vida melhor e mais elevada. E o professor primário é o facho que conduz a luz para dissipar as trevas da ignorância. Quanta sublimidade nessa profissão… Devemos cultuar o trabalho do mestre escola e não menosprezá-lo como fazem constantemente, pois o trabalho dele é como uma estrela, cujo brilho jamais extinguirá de nossas mentes. Nestas linhas rendo minha sincera homenagem a esses heróis obscuros da nossa Pátria…
MSB/1962

