Vinícius de Moraes - O Diplomata
domingo, 19 de outubro de 2008 por Maria Clara
Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto, Fernando Sabino,
Rubem Braga, Carlinhos de Oliveira e Vinicius de Moraes -1967
Em 1960, Vinícius é transferido para o Brasil e retorna à Secretaria do Estado das Relações Exteriores. Em novembro, nasce seu neto, Paulo. Sai à segunda edição de sua “Antologia Poética”, pela Editora de Autor; a edição popular da peça “Orfeu da Conceição”, pela Livraria São José e “Recette de Femme et Autres Poèmes”, tradução de Jean-Georges Rueff, em Edição Seghers, na coleção Autour du Monde. Suas canções continuam ser gravadas por muitos artistas. Foram lançadas “Janelas Abertas” (composta com Tom Jobim), por Jandira Gonçalves, e “Bate Coração”, (composta com Antônio Maria), por Marianna Porto de Aragão, cantora cultuada na época como uma das vozes mais poderosas de toda uma geracão de cantoras .
No ano seguinte, Vinícius registrou pela primeira vez sua voz, em um álbum contendo os sambas “Água de Beber” e “Lamento no Morro”, novamente parcerias com Tom Jobim. O poeta teria também um novo parceiro naquele período, o cantor, compositor e violonista Carlos Lyra. Com ele, Vinícius iria compor clássicos como “Você e Eu”, “Coisa Mais Linda”, “A Primeira Namorada” e “Nada Como Te Amar”. Ainda em 1961, o “Teatro Santa Rosa” foi inaugurado no Rio de Janeiro com “Procura-se uma Rosa”, peça de autoria de Vinícius, Pedro Bloch e Gláucio Gil - filmada depois pelo cinema italiano com o nome de “Una Rosa per Tutti” (o longa-metragem foi rodado no Rio e estrelado por Cláudia Cardinale).
Agua de Beber
Em 1962, a Banda do Corpo de Bombeiros Fluminense gravou “Serenata do Adeus”, um ano após gravarem “Rancho das Flores”, marcha-rancho com versos do poeta sobre tema de “Jesus, Alegria dos Homens“, de Johann Sebastian Bach. Ainda naquele ano, enquanto “Canção da Eterna Despedida” (composta com Tom Jobim) “Em Noite de Luar” (composta com Ary Barroso) foram gravadas por Orlando Silva e Ângela Maria, respectivamente, Vinícius de Moraes publicou três livros: “Antologia Poética”, “Procura-se Uma Rosa” e “Para Viver Um Grande Amor”.

Vinicius de Moraes e Pixinguinha
Com Pixinguinha, compôs a trilha sonora do filme “Sol sobre a Lama”, de Alex Vianny, escrevendo as letras para os chorinhos “Samba Funebre”, “Lamento” e “Mundo Melhor”. “Pixinguinha é o ser mais perfeito que eu já conheci até hoje em minha vida. Isto pra principo de Conversa. Eu nunca vi ser humano de qualidade superior à do velho Pixinga. Já conheci muita gente bacana, homens e mulheres, mas aquela bondade, a espontaneidade, o cavalherismo… Um ser humano excepcional, isso sem falar na genialdade musical. A benção, Pixinguinha / tu que choraste na flauta todas a minhas mágoas de amor”.

Vinicius de Moraes e Baden Powell
Também naquele período, nasceu a parceria com o compositor e violonista Baden Powell. Desta, resultariam inúmeros sucessos, como “Apelo”, “Canção de Amor”, “Canto de Ossanha”, “Formosa”, “Mulher Carioca”, “Paz”, “Pra Que Chorar”, “Samba da Bênção”, “Samba Em Prelúdio”, “Só Por Amor”, “Tem Dó”, “Tempo Feliz“, entre outras.
Em agosto de 1962, com Tom Jobim, João Gilberto e o grupo Os Cariocas, participa do “Show Encontro”, um dos mais importantes concertos da Bossa Nova e realizado na boate “Au Bon Gourmet“, no Rio de Janeiro. Neste show, foram lançadas clássicos da música popular brasileira como “Ela é Carioca”, “Garota de Ipanema”, “Insensatez”, “Samba do Avião” e “Só Danço Samba”.
Se todos fossem iguais a vc – Tom e Vinícius
Por volta de 1963, um Show na mesma casa noturna, com a produção de Aluísio de Oliveira, lançaria a cantora Nara Leão. Trata-se da peça “Pobre Menina Rica”, de Vinícius e Carlos Lyra. O enredo era simples e romântico, desenvolvendo-se através das canções. A “Marcha do Amanhecer” retrata amanhã na comunidade dos mendigos. “Cartão de Visita”, serve como pretexto para a apresentação do Mendigo-Poeta. “Broto Triste”- o Mendigo-Poeta descobre a Pobre Menina Rica que canta a música tema, no alto da sacada de seu luxuoso apartamento. É o início do romance. “Primavera”, cantada em dueto, retrata o namoro de sacada. “Sabe Você” – o Mendigo-Poeta discute com um mendigo-ladrão, é presenciado pela Pobre Menina Rica que se apaixona definitivamente. “Pau-de-Arara” – marca a passagem de um novo personagem, o comedor de gillete, que não volta a aparecer. “Canção do Amor que Chegou” – o Mendigo-Poeta vai ao encontro da Pobre Menina Rica. “Maria Moita” – a Menina Rica conhece Maria Moita, mulher carioca, o chefe da comunidade, que lhe conta sua história. “Minha Desventura” – o Mendigo-Poeta perde o amor da Menina Rica, depois deixa de ser pobre, ao receber a herença de Num-Dou, um mendigo que havia acumulado uma fortuna recolhendo as jóias que uma ricaça atirava pela janela, sempre que brigava com o marido. “Valsa Dueto” – epílogo cantado pelos namorados.
Este Show foi montado também no Teatro Maison de France, sob a direção de Carlos Lyra, e no Teatro de Bolso com a presença de Ari Toledo cantando “Pau-de-Arara”. O disco lançado pela CBS, foi gravado por Carlos Lyra e Dulce Nunes, contando ainda com a participação de Moacir Santos, Catulo de Paula e Telma, com textos e versos de Vinicius, teve direção musical de Radamés Gnattali.
Ainda em 63, Vinicius comporia com Carlos Lyra “Marcha da Quarta-feira de Cinzas” e a bela “Minha Namorada”. Casa-se com Nelita Abreu Rocha e retorna a Paris, na Delegação do Brasil junto a UNESCO. Neste mesmo período, Vinicius de Moraes lançou com a atriz Odete Lara seu primeiro álbum: “Vinicius e Odete Lara”. Com arranjos e regência do poeta Moacir Santos, o LP continha canções da parceria com Baden Powell, como “Berimbau”, “Mulher Carioca”, “Samba em Prelúdio” e “Só por Amor”, entre outras.

Elizeth Cardoso e Vinicius de Moraes
O Selo Copacabana lança o álbum “Elizeth Interpreta Vinicius”, contendo as parcerias do poetinha com Baden Powell, Moacir Santos (e arranjos deste), Nilo Queiroz e Vadico. Ainda, Jorge Goulart grava “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, Elza Soares grava “Só Danço Samba”, Pery Ribeiro e o Tamba Trio gravaram “Garota de Ipanema” e Jair Rodrigues grava “O Morro Não Tem Vez” (composta com Tom Jobim).
Carta ao Tom – Vinícius, Toquinho e Quarteto em Cy
Em 1964, Vinícius retornou ao Brasil e logo se apresentou na boate “Zum Zum”, ao lado de Dorival Caymmi, Quarteto em Cy e o Conjunto de Oscar Castro Neves. O concerto teve grande repercussão nos meios artísticos e foi lançado em LP pelo Selo Elenco, contendo composições como “Bom Dia Amigo” (parceria com Baden Powell), “Carta ao Tom”, “Dia da Criação” e “Minha Namorada” (parcerias com Carlos Lyra), e “Adalgiza”, “Das Rosas”, “História de Pescadores” e “Saudades da Bahia” (parcerias com o cantor, compositor e violonista Dorival Caymmi). Colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca. Começa a compor com Francis Hime.
Em 1965, duas canções de Vinícius de Moraes concorreram, o “I Festival Nacional de Música Popular Brasileira” (da extinta TV Excelsior). “Arrastão” (composta com Edu Lobo), defendida por Elis Regina, ficou com o primeiro lugar, e “Valsa do Amor que Não Vem” (parceria com Baden Powell), defendida por Elizeth Cardoso, ficou com o segundo lugar. Também com o arranjador, cantor e instrumentista Edu Lobo, Vinícius compôs “Canto Triste”, “Só Me Fez Bem”, “Zambi” e “Canção do Amanhecer” - canções que se engajaram no clima de protesto da época e foram apresentadas em projetos do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Por um breve período, Vinícius foi designado para trabalhar na Delegação do Brasil junto à Unesco, na Europa. O poeta também trabalhou com o diretor Leon Hirszman no roteiro do filme “Garota de Ipanema”, voltou a se apresentar no Zum Zum com Dorival Caymmi e lançou o livro “Cordélia e o Peregrino” do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura.

Vinicius de Moraes e Cyro Monteiro
Ainda em 1965, o Teatro Municipal de São Paulo foi o palco de uma homenagem para o poetinha, com o show “Vinicius: Poesia e Canção”, espetáculo que contou com a participação da Orquestra Sinfônica de São Paulo (sob a Regência do Maestro Diogo Pacheco). As composições apresentadas receberam arranjos dos maestros Guerra Peixe, Radamés Gnattali, Luís Eça, Gaya e Luís Chaves e contou com intérpretes com Carlos Lyra, Edu Lobo, Suzana de Moraes, Francis Hime, Paulo Autran, Cyro Monteiro e Baden Powell. Quando o poeta terminou a apresentação de “Se Todos Fossem Iguais A Você”, a platéia respondeu com dez minutos ininterruptos de aplausos.
Vinícius então parte para Paris e St. Maxime para escrever roteiro do filme “Arrastão”, indispondo-se, subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris voa para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim. Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à Rua Diamantina, nº20.
Em 1966, foi lançado o álbum “Os Afro-Sambas”, com suas composições em parceria com Baden Powell. Constam do repertório do disco “Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô”, “Canto de Iemanjá” e “Lamento de Exu”, entre outras, além da participação de Powell tocando violão. Naquele mesmo período, Vinicius participou do “Concerto Pois É”, no Teatro Opinião, , ao lado de Maria Bethânia e Gilberto Gil. No espetáculo dirigido pelo arranjador, compositor, maestro e pianista Francis Hime, o público carioca conheceu pela primeira vez as canções de Gilberto Gil. Ainda naquele ano, o poetinha lançou o livro de crônicas “Para Uma Menina Com Uma Flor” e também foi convidado a participar do júri do Festival de Cannes. Na ocasião, descobriu que sua canção “Samba da Benção” havia sido utilizada, sem os devidos créditos, na trilha sonora do filme “Um Homem e Uma Mulher”, do diretor francês Claude Lelouch, vencedor do festival. Após uma ameaça de processo, a obra de Lelouch creditou a canção de Vinicius
Canto de Ossana -
Neste ano também são feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.
O ano de 1967 marcou a estréia do filme “Garota de Ipanema”, baseado no sucesso homônimo de Vinícius. É a canção brasileira mais conhecida no mundo depois de “Aquarela do Brasil” (de Ary Barroso). Ainda naquele período, o poetinha organizou um Festival de Artes em Ouro Preto cidade à qual fazia freqüentes viagens.

Fez parte do júri do Festival de Música Jovem, na Bahia e excursionou para a Argentina e o Uruguai.
A Editora Sabiá, lança a 6ª edição de sua Antologia Poética e a 2ª do seu Livro de Sonetos (aumentada).
No dia 25 de fevereiro de 1968, falece sua mãe. Aparece a primeira edição de sua “Obra Poética”, pela Companhia José Aguilar Editora. Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti. Casa-se com Cristina Gurjão. Durante todo ano, Vinicius de Moraes participou de shows em Lisboa, na companhia de Chico Buarque e Nara Leão. Também naquele ano, a convite do crítico Ricardo Cravo Albin, Vinícius prestou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som (de onde era membro do Conselho Superior de MPB).
Após 24 anos de carreira diplomática, Vinícius de Moraes foi exonerado, foi aposentado do Itamaraty pelo AI-5. . O Decreto veio de Brasília, assinado pelo Presidente Costa e Silva, e despacho dizia: “Ponha esse vagabundo para trabalhar”.
Por interferência de Magalhães Pinto, Otto Lara Resende escreveu um arrazoado para Brasília evitando que o despacho se tornasse público, o que seria um verdadeiro escândalo.
No dia em que o ato era editado, Vinícius encontrava-se em Portugal onde realizava um concerto. Após este espetáculo, estudantes salazaristas estavam aglomerados na porta do teatro para protestar contra o poeta. Avisado disto e aconselhado a se retirar pelos fundos do teatro, o poetinha preferiu enfrentar os protestos e, parando diante dos manifestantes, começou a declamar “Poética I” (”De manhã escureço/De dia tardo/De tarde anoiteço/De noite ardo”). Então, um dos jovens tirou a capa do seu traje acadêmico e a colocou no chão para que Vinicius pudesse passar sobre ela — ato imitado pelos outros estudantes e que, em Portugal, é uma forma tradicional de homenagem acadêmica.
A exoneração para Vinícius, foi um fato que o magoou profundamente ao mesmo tempo um alívio, disse ele:“Eu não agüentava mais aquilo, mas tinha um problema moral, em relação aos meus filhos, pois eram 24 anos de carreira, e eu estava próximo da aposentadoria. Tinha um certo medo de jogar aquilo tudo para o alto. Fiquei muito satisfeito…”
Em 1969, se apresentou ao lado de Maria Creuza e Dorival Caymmi em Punta del Este. O poetinha também fez Recital na Livraria Quadrante, em Lisboa, apresentando, entre outros, os poemas “A Uma Mulher”, “O Falso Mendigo”, “Sob o Trópico de Câncer” (no qual trabalhou durante nove anos) e “Soneto da Intimidade”. O evento foi gravado ao vivo e lançado em LP pelo Selo Festa. Ainda naquele ano, Vinicius fez apresentações em Buenos Aires, ao lado de Caymmi, Baden Powell, Quarteto em Cy e Oscar Castro Neves.

O Diplomata Vinícius de Moraes
Fonte: Home de Vinícius de Moraes
Wikipédia Livre - Vinícius de Moraes
Dicionário Cravo Albin - Vinícius de Moraes
Revista Violão e Guitarra - Especial Vinícius - 1979


Se puder , pegue o filme “Sol sobre a Lama ” com a trilha de Pixinguinha e Vinícius de Moraes.
Veja também sobre o filme SHAFT que tem uma trilha maravilhosa , canção de Isaac Hayes ganhou o Oscar.
SITE:
http://www.scoretrack.net/CDshaftant.html
Bjs.
Cris
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