TOM JOBIM - Pianista, Arranjador…
sexta-feira, 21 de novembro de 2008 por Maria Clara

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, mais conhecido como Tom Jobim, foi compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro, mais famoso dentro e fora do Brasil. É considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento da Bossa Nova. É um dos nomes que melhor representa a música brasileira na segunda metade do século XX e é praticamente uma unanimidade entre críticos e público em termos de qualidade e sofisticação musical.
Chovia muito quando Tom Jobim nasceu 25 de Janeiro de 1927, onze e quinze da noite de uma terça-feira. Muita água caindo do céu, nenhuma saindo das bicas da Rua Conde de Bonfim, no bairro carioca da Tijuca. O conserto de um cano viera perturbar o nascimento do primeiro filho de Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida, na casa de nº 634.
Com a ajuda do irmão de Da.Nilza, Marcelo Brasileiro de Almeida, a quem coube a tarefa de providenciar água para o parto, e de sua irmã Yolanda Brasileiro de Almeida, que se desdobrou na cozinha para que não faltasse café para o Dr. Graça Mello, que o bebia em doses quase industriais, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim finalmente veio ao mundo com quase 60 cm de comprimento e pesando quatro quilos.
Aquariano com ascendente em Libra, dois signos ligados ao ar como os seres alados que tanto admirava, no horóscopo chinês, Tom era gato, o que talvez explique sua implicância com deslocamentos e mudanças. E, no entanto, trocar de endereço foi uma das coisas que ele mais fez na vida.

A primeira mudança foi em 1931, quando os Jobim trocaram a Tijuca por um bairro da zona sul da cidade, que então não passava de um enorme areal distante de tudo e pouco habitado: Ipanema. A casa ficava na Rua Barão da Torre, perto do Bar Vinte. Nela, Tom morou pouco tempo, mudando-se para a Rua Constante Ramos, 68, em Copacabana. Tom tinha apenas um ano quando seus pais separaram-se pela primeira vez. Após uma curta reaproximação, durante a qual Tom ganhou uma irmã, Helena Isaura, nascida em 1931, o casamento de Da.Nilza se desfez para sempre com a morte prematura de Jorge em 1935. Quando Jorge Jobim morreu Da. Nilza foi morar na arborizada pensão de Da. Adelaide e Da. Josefina, na mesma rua. O pouso seguinte—a última casa de uma vila—ficava na travessa Trianon, transversal à Rua Siqueira Campos, no mesmo bairro.
Dois anos após a morte de Jorge, Da. Nilza casou-se com Celso Frota Pessoa, que acabaria transformando-se no verdadeiro pai de Tom e Helena e que lhe deu muito incentivo para a vida musical, chegando a lhe presentear com um piano. E foram todos morar novamente em Ipanema, numa casa de pedra da Rua Sadock de Sá, 276, com fundos para um terreno baldio frontal à Lagoa Rodrigo de Freitas. No andar de cima, os tios: Yolanda e João Lira Madeira e dois primos; no térreo, Tom, Helena, os pais, os avôs maternos e tio Marcelo. Foi naquele ambiente, musical dentro de casa e ecologicamente exuberante do lado de fora, que Tom, assim apelidado pela irmã, desenvolveria seu pendor para a música e sua paixão pela natureza.
Embora tenha manifestado seu gosto pela música precocemente (só dormia embalado pela voz da mãe ou da avó Emília e gostava de escolher o repertório), sua relação mais intensa, a princípio, foi com a praia, as praças e as grimpas de Ipanema, onde nadava, pescava, soltava pipa, andava de bicicleta, subia em árvores, escalava morros e telhados — e quando se cansava tirava uma sesta nos bancos da Praça Nossa Senhora da Paz. Era capaz de atravessar a Lagoa a nado e volta e meia arriscava um audacioso mergulho das pedras do Arpoador.
A despeito de toda essa esportividade, fazia o gênero contemplativo. Sobretudo na escola. Passou por tantos colégios quanto mudou de casa. Estudou no Mallet Soares, em Copacabana, depois no Mello e Souza, no Paula Freitas, dividindo o que então chamavam de curso científico entre o Juruena e o Andrews. Em 1940, sua mãe fundou o Colégio Brasileiro de Almeida.

Um dia, quando tinha 14 anos, deparou-se, ao voltar da praia, com um piano na garagem de casa. Esse piano mudaria sua vida. Era um Bechstein alugado para que Helena aprendesse a tocar e o professor Hans Joachim Koellreutter pudesse dar aulas no Colégio Brasileiro de Almeida. Por achar que piano era “coisa de mocinha”, Tom aproximou-se do teclado com certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, já estava fisgado. E Iniciou seus estudos de música em 1941, tomando aulas com o professor Hans, às vezes durante dez horas seguidas. Com ele aprendeu as coisas básicas, praticou escalas e adquiriu as primeiras noções de composição e harmonia.
Em seguida, passou pelas mãos de Lúcia Branco, que o exercitaria nos clássicos de Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy, Villa-Lobos, e o convenceria a desistir de ser concertista e o estimularia a compor. Com o professor, regente e compositor negro Paulo Silva, “muito sistemático e rigoroso”, segundo Tom, aprofundaria seus conhecimentos de harmonia.
Além de piano, aprendeu flauta, harmônica de boca e violão, chegando a formar um conjunto de gaitistas cuja ribalta era a Praça General Osório, em Ipanema. Um dos integrantes do conjunto, Newton Mendonça, seria seu primeiro grande parceiro.
Música, dizia-se, não dava camisa a ninguém e Tom, louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, partiu em busca de uma profissão mais segura. Bom de desenho fez vestibular para arquitetura. Com ajuda do padrasto, que reformou um quarto de empregada para que Tom e Thereza pudessem morar com a família na casa de dois andares da Rua Redentor, 307, os dois se casaram, em 15 de outubro de 1949, e foram passar a lua-de-mel em Petrópolis.
Tom não conseguiu ir além do primeiro ano de arquitetura. Sem dinheiro, resolveu ganha-lo com aquilo em que já era quase doutor. Por intermédio do Maestro Alceu Bocchino, diretor da Rádio Clube do Brasil e amigo de tio Marcelo, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro, de seis às dez da noite, no Bar Michel. Mas não por muito tempo. Antes que o estresse o destruísse, optou, temporariamente, pela noite.
Passou pelas principais casas noturnas do Rio, alternando ao piano um eclético repertório de ritmos: sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas, tangos. Até se dar conta de que não iria muito longe embalando noctívagos, bêbados, boêmios e grã-finos. Para ser um músico de verdade, precisaria aprofundar seus conhecimentos de harmonia e orquestração.

Uma vez mais, Celso estendeu-lhe a mão, oferecendo-se para arcar com o aluguel e as contas do mês, enquanto o ex-futuro arquiteto aperfeiçoava seus estudos lendo os “Princípios de Orquestração”, do compositor russo Rimsky-Korsakov, e decorando os arranjos de Glenn Miller nos 78 rotações de sua coleção. Mais tarde, Tom tomaria aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán.
Por intermédio do músico Alcides Fernandes, marido da faxineira dos Jobim e morador da favela do Pavãozinho, Tom foi trabalhar na Editora Euterpe, escrevendo arranjos para pequenos conjuntos. Em 1952, Sávio Carvalho da Silveira levou-o para a gravadora Continental, onde se ocuparia de colocar em pentagramas as músicas de autores que compunham apenas de ouvido e fazer arranjos e orquestrações para Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Elizete Cardoso e Dick Farney.
Decidido a trocar a vida boêmia e noturna pela diurna, declarou: “Resolvi mudar de vida, de repente. Para ser bicho diurno, arranjei emprego na Continental Discos. Levava a minha pastinha, com algumas partituras. Alguém cantava uma música, batendo na caixa de fósforo, e eu punha a melodia no papel” (JOBIM, Helena p.85). O arranjador oficial da gravadora era Radamés Gnatalli, grande pianista, regente e compositor, que adotou Tom como seu mais ilustre afilhado musical. Pouco depois, Tom atuou como arranjador, auxiliado, no início, pelo Maestro Radamés.
Com o que passou a ganhar na gravadora voltou para Copacabana, pagando do próprio bolso o aluguel de um conjugado no Edifício Einstein, na Rua Francisco Otaviano, no Posto 6. Àquela altura, o casal já tinha um filho, Paulo Jobim, nascido em 4 de agosto de 1950.
Em abril de 1953, Tom estreava em disco como compositor, com o samba-canção “Incerteza”, feito em parceria com Newton Mendonça e gravado por Mauricy Moura, cantor santista, discípulo de Silvio Caldas. Dois meses depois, emplacaria mais duas composições em um “78” rpm de Ernani Filho: “Pensando em Você” e “Faz uma Semana”, esta em parceria com outro amigo de bairro, João Batista Stockler. Dali em diante, sua carreira só subiria de tom.
Seus primeiros arranjos gravados pela Continental foram em discos de 78 rpm. O primeiro foi para a composição “Outra vez”, também de sua autoria, gravada por Dick Farney, em 1954. Fez arranjo, ainda, para músicas gravadas por Dóris Monteiro, Nora Ney, Orlando Silva e Dalva de Oliveira, entre vários outros.
Tom ainda teria de esperar mais um ano e três gravações para saborear seu primeiro sucesso:“Tereza da Praia”, samba-canção composto de parceria com Billy Blanco na medida para desfazer os boatos de que Lúcio Alves e Dick Farney se detestavam mutuamente. Ao contrário do que muitos acreditavam, não se tratava de uma homenagem à Thereza Jobim, embora as duas Terezas tivessem “uma pinta do lado”.
O ano de 1954, foi um ano venturoso para Tom. Só o fato de a Continental passar a produzir LPs de dez polegadas abriu-lhe novas perspectivas, tornando possível registrar em disco os onze movimentos de uma sinfonia, burilada a quatro mãos com Billy Blanco. Era uma exaltação ao Rio de Janeiro, falando do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano da cidade, com arranjos de Maestro Radamés Gnattali e canções interpretadas pela fina flor do rádio e do disco, como Dick Farney, Lúcio Alves, Elizete Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Jorge Goulart, Nora Ney e Emilinha Borba. “Sinfonia do Rio de Janeiro” não entrou nas paradas de sucesso mas consolidou a reputação de Tom como o mais promissor talento de sua geração.
Essa obra foi incluída, mais tarde, na trilha do filme “Esse Rio que eu amo”, de Carlos Hugo Christensen. Ainda em 1954, teve músicas gravadas por Nora Ney, Elizeth Cardoso e Lúcio Alves, entre outros. A partir de então, suas músicas vêm sendo gravadas, ano após ano, por centenas de artistas nacionais e estrangeiros.
Fonte: Site Oficial
Dicionário Cravo Albin
Wikipédia Livre
Discografia Completa


Maravilhoso seu espaço e seus posts. Amei. Voltarei outras vezes.
Uma linda terça feira e paz.
Smack!
Edimar Sely
O primeiro e fundamental parceiro de Tom Jobim foi o pianista de vanguarda e genial compositor NEWTON Ferreira de MENDONÇA (Rio, 11.2.27-idem, 22.1.60), de formação erudita como Tom, que o levou para a música popular e com quem formou a mais importante dupla da Bossa Nova, criadora dos grandes clássicos e das músicas-matrizes da nova estética. Favor corrigir o nome de Newton no tape do Youtube: o nome revolucionário compositor é NEWTON MENDONÇA e não “Newton Teixeira”. Grato.
Marcelo, sinto muito, mas não posso corrigir o nome de Newton no vídeo do Youtube, só o pessoal do Youtube que esta autorizado fazer isso. Grata