A Década de 60 é um divisor de águas na música popular brasileira. Até ela, a música que e fazia no Brasil, à exceção do samba, de estrangeirice aguda (para aqueles que advogam que a música brasileira sofreu um processo de colonização a partir do rock, é bom lembrar que as composições feitas no Brasil até o final dos anos 50 eram basicamente assentadas nos boleros, guarâneas, fox - trotes e demais gêneros que empolgaram a geração Hollywood). E só sabia cantar quem tinha potência de voz e de pulmão.
A Bossa Nova foi o primeiro movimento a entrar em cena no final da Década de 50 para mostrar que cantar podia ser exatamente o contrário. Paralelamente a essa transformação proposta pela Bossa Nova, à música brasileira começou a receber os ventos das revoluções externas ao país,quando um novo comportamento, ditado pela juventude, passou a imperar. A partir daí, sexo e política misturam-se na quebra de antigos valores. O mundo passa por velozes e radicais mudanças. O Brasil entra num processo particular, ditado pelas influências externas e pelas suas próprias mudanças políticas e econômicas. Nada disso escapa à arte. A música popular é a que mais diretamente capta essas mudanças. E as reflete. Como resultado, um vigoroso processo de renovação musical instala-se no país, numa sucessão de significantes movimentos.
Esse processo, tão importante para a música e para a cultura brasileira, é cronologicamente analisado nesta retrospectiva.
(Reginaldo Ramos Moura– Diretor da Revista Violão & Guitarra - 1981)
1960– generaliza-se a guerra do Vietnam: 25 pessoas morrem por dia;
- a União soviética coloca em órbita terrestre o Sputinik 5, levando dois cães a bordo;
- os EUA lançam o primeiro satélite meteorológico; liberado o uso da pílula anticoncepcional;
- é inaugurada a cidade de Brasília, nova capital do país, por Juscelino Kubitschek;
- “Jânio vem ai!”;
- a Editora Abril lança a revista Quatro Rodas;
- é criada em Bagda, Iraque, a OPEP;
- tem início o uso da informática a IBM lança o primeiro computador eletrônico para fins comerciais, embora ainda não de forma massificada;
-John F. Kennedy foi eleito presidente dos EUA;
Os anos 60 têm início para a música popular do Brasil prenunciando uma divisão que se estenderia até o final da década, quando os tropicalistas destruiriam a separação entre a música “Jovem” e a MPB.
Iniciava a década e alguns garotos já vinham fazendo a cabeça de uma parte da juventude desde 1958, pautados no rock&roll americano, através de versões singelas e apressadas dos sucessos internacionais. Celly Campello, seu irmão Tony Campello, Wilson Miranda, Sergio Murilo, Ronnie Cord, Demétrius, entre outros definiam uma faixa de público consumidor dentro do incipiente mercado fonográfico de então.
Tempo para Amar - 1959
Embora essa reposta brasileira aos apelos do rock americano não tome maior espaço nos estudos históricos sobre a música popular brasileira, é, sem dúvida, Celly e sua turma que abrem espaço para o movimento liderado por Roberto Carlos, poucos anos depois.
Muitos dos componentes da turma de “brotos” da primeira manifestação do rock brasileiro estariam presentes nos bastidores da Jovem Guarda: Tony Campello e Wilson Miranda produziram discos de Deny e Dino, de Os Incríveis e, junto com Demétrius (“Ritmo da Chuva”), fariam algumas intervenções nas matinês dominicais do programa de Roberto Carlos.
A turma da cuba libre e do hi-fi instaurava, ainda que em pequena escala, a indústria da música jovem, que extrapolaria o universo musical para interferir no comportamento juvenil. Uma interferência tão estéril em termos de sociedade brasileira quanto duvidosa: o modo de ser rebelde e violento importado de maneira estereotipada dos filmes de James Dean ou daquilo que se sabia da juventude americana, resultaria uma caricatura. Os meninos brasileiros brincavam de mocinho e bandido no quintal norte-americano.
Pra os play-boys, Ronnie Cord“subia a Rua Augusta a 120 por hora”, enquanto os brotinhos identificavam sua ingenuidade nas canções de Celly que usava “lacinhos cor de rosa nos sapatos”, sonhando beijar o namorado quando o “trem passasse no túnel do amor”.
Os centros urbanos do país escandalizavam-se com as notícias de estupros e violência praticados pela juventude transviada.
DO OUTRO LADO DA BOSSA NOVA
Há muita controvérsia sobre a origem da Bossa Nova. A expressão que designa um jeito novo de fazer alguma coisa, já era usada entre os músicos profissionais desde a Década de 40.
É, entretanto, no final dos anos 50 que um grupo de rapazes e moças passa a manter encontros na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tocavam violão e cantavam músicas de determinados compositores. Dentro eles, Carlos Lyra e Roberto Menescal fundariam uma academia de violão que ajudava a divulgar composições do grupo e o caráter intimista e jazzístico de sua música.
Em 1958, João Gilberto, o violonista que já atuara em um disco de Elizeth Cardoso (“Canção do Amor Demais”), grava seu primeiro compacto (“Chega de Saudades/Bim-Bom”) empregando uma nova forma rítmica ao seu instrumento.
Esse primeiro trabalho individual de João Gilberto passaria a identificar o movimento, que aglutinou poetas e músicos em torno da nova concepção musical, a qual passava a impor mudanças radicais em nível de arranjo e letras.
João Gilberto
A batida característica do violão de João Gilberto, as novas estruturas utilizadas por Tom Jobim, que propunha harmonia dissonante e inovadora; a poesia de Vinícius de Moraes, que rompia com a separação entre poesia e canção popular; e, principalmente nova forma de interpretação, onde o canto abandonava as performances operísticas, a voz volumosa e empostada, para cantar com precisão e economia (“Desafinado”), passavam a identificar a Bossa Nova.
A partir daí, novos discos foram editados. Sylvia Teles, Alaíde Costa, Baden Powell, Nara Leão, os irmãos Castro Neves, Luis Eça, Chico Feitosa, entre outros, veriam a Bossa Nova alcançar repercussão nacional e, através do festival realizado nos Estados Unidos, em novembro de 1962, atingir o mercado internacional.
Silvia Telles
O I Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall chamou a atenção de músicos de jazz norte-americanos e propiciou o lançamento de discos em vários países.
A partir dessa época, o sucesso na Bossa Nova dá origem a certo desgaste do movimento, que passa a perder suas características originais. Céu-mar-azul-garotas, temas sobre os quais se haviam debruçados os criadores da Bossa Nova, passariam a ser substituídos por novas informações de outros compositores que viriam incorporar elementos da cultura regional e denúncia social e política.
À parte o sucesso de Ronnie Cord com “Rua Augusta”, gravada em 1963, os primeiros rockeiros brasileiros já não convenciam, coincidindo com a exaustão a que chegara o rock de Elvis Presley nos Estados Unidos
Ronnie Cord – Rua Augusta 1963
Fonte:Revista Violão e Guitarra Especial - nº 37 - 1981
Woodstock, festival de rock mais famoso da história, aconteceu no período entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, numa fazenda na cidadezinha de Bethel, no estado de New York. Segundo a revista Rolling Stone, o Festival de Woodstock foi um dos 50 momentos mais importantes que mudaram a história do Rock’n'Roll.
Criado pelo promotor Michael Lang com Artie Kornfeld, John Roberts e Joel Rosenman, o evento reuniu 32 artistas. No filme/documentário, lançado em 1970, aparecem 22 deles, conforme lista abaixo (em ordem alfabética).
Arlo Guthrie
Canned Heat
Country Joe & the Fish
Country Joe McDonald
Creedence Clearwater Revival
Crosby, Stills, Nash
Grateful Dead
Janis Joplin
Jefferson Airplane
Jimi Hendrix
Joan Baez
Joe Cocker
John Sebastian
Johnny Winter
Mountain
Paul Butterfield Blues Band
Richie Havens
Santana
Sha-Na-Na
Sly & The Family Stone
Ten Years After
The Who
O filme ganhou o Academy Award® como melhor documentário (foi nomeado para Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora). Woodstock foi produzido por Bob Maurice e dirigido por Michael Wadleigh, que tinham em sua equipe jovens editores e cineastas como Martin Scorsese, Thelma Schoonmaker, Joel Cox e Tina Hirsch.
No local do festival foi erguido um museu chamado Bethel Woods Center Of Arts, que conta a história da decada de 60, destacando Woodstock como um acontecimento ligado à arte, com exibições multimídia e até eventos educacionais.
Para comemorar esses quarenta anos do Festival deWoodstock, será lançada, no dia nove de junho, uma caixa especial contendo três DVDs. Neles está incluída a versão do diretor com quatro horas de duração, mais duas horas de performances inéditas. Foram mais de 300 horas de gravação e uma platéia de cerca de 500 mil pessoas durante os três dias do evento. Muitos estão questionando essas restaurações, principalmente no que se refere ao som, pois alguns fãs estão protestando contra os chamados “overdubs” feitos para restaurar as gravações. Por exemplo, o início da música “Soul Sacrifice” de Carlos Santana, tinha uma percussão especial que quase não aparecia na gravação original. Como o percussionista da banda de Santana já morreu, chamaram seu filho no estúdio e regravaram essa percussão. O “overdub” é um recurso muito usado para consertar eventuais erros e falhas nas gravações ao vivo. Seria o equivalente a uma cobertura de possíveis defeitos de gravação.
O ano de 1969 foi importante na história, pois, além do Festivalde Woodstock, foi o ano que o homem pisou na Lua. O festival também serviu como um protesto do movimento hippie contra a guerra do Vietnã, que estava no seu auge. Foi também a plataforma para o estrelato de gente como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who, que em 1967, já haviam chocado o mundo com suas performances no Festival de Monterey, na California.
Outros grandes nomes também se destacaram graças ao Woodstock como, Joe Cocker (sua performance de “With a Little Help From My Friends” se tornou lendária), Crosby, Stills, Nash & Young, Sly & The Familly Stone, Richie Havens, Canned Heat, Joan Baez, Ten Years After e Creedence Clearwater Revival.
Fonte: Matéria de Kid Vinil, colunista do Yahoo! Brasil
Outras informações sobre 50 anos da carreira de Roberto Carlos - 25/04/09
Roberto fará show gratuito em Sâo Paulo em dezembro.
O cantor Roberto Carlos fará um showgratuito em São Paulo, na primeira semana de dezembro, provavelmente na avenida Paulista.
Será o Especial de Natal da Rede Globo, no ano em que o Rei comemora cinco décadas de carreira. A turnê comemorativa, que começou em Cachoeiro de Itapemirim (ES), inclui ainda mais de 20 shows no Brasil. Fonte Jornal Agora/SP - 25/04/09
Matéria enviada por: Heitor Domingues de Oliveira Pesquisador da Memória Brasileira
Autor do Livro: MEMÓRIAS E FATOS NO BRASIL - 50 ANOS DE HISTÓRIA
O show de domingo em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, será apenas o primeiro de uma série de apresentações que Roberto Carlos fará neste ano e em 2010, para comemorar os seus 50 anos de carreira. A turnê faz parte do projeto ItaúBrasil, que no ano passado homenageou o cinquentenário da Bossa Nova.
A turnê do Rei percorrerá também as principais cidades do nordeste, mas as grandes apresentações acontecerão nos dias 11 de julho, no Maracanã, no Rio de Janeiro, para um público estimado de 60 mil pessoas, e nos dias 21 e 22, e 28 e 29 de agosto, no Ginásio do Ibirapuera. Em 2010, também no dia do aniversário do músico, ele vai se apresentar em Nova York, dando início à fase internacional da turnê. Os locais dos shows no exterior ainda não foram divulgados.
Roberto Carlos e sua turnê movimentarão cerca três carretas, transportando mais 70 toneladas de equipamentos de som, luz, palco e camarim, por mais de 42 mil quilômetros. Somente durante a turnê brasileira, o Rei vai cantar cerca de 35 horas e distribuirá um total de 3.456 botões de rosas vermelhas (12 dúzias por show) e 864 de rosas brancas (três dúzias por noite).
Outros eventos - Além das apresentações do Rei, o projeto promoverá também, no dia 26 de maio, no Teatro Municipal de São Paulo, o espetáculo Elas Cantam Roberto Carlos, com a participação de 14 vozes femininas. No dia 11 de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, acontecerá o Show Roberto Carlos Rock Symphony e, em março de 2010, no Estádio do Pacaembu, o Show Emoções Sertanejas. Os nomes dos músicos que participarão desses três eventos, no entanto, ainda não foram divulgados.
No início de 2010, a Oca, no Parque do Ibirapuera, receberá a Expo RC 50 Anos, com curadoria de Marcello Dantas, que também foi o responsável, no ano passado, pela Bossa na Oca. A exposição será interativa e terá 180 minutos de imagens. A pesquisa dessas imagens já está sendo feita em um material bruto de cinco mil horas de filmes, especiais de TV, programas jornalísticos e clipes. As informações são do Jornal da Tarde.
Matéria enviada por: Heitor Domingues de Oliveira Pesquisador da Memória Brasileira
Autor do Livro: MEMÓRIAS E FATOS NO BRASIL - 50 ANOS DE HISTÓRIA
ROBERTO CARLOS EMOCIONA MULTIDÃO EM CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM -20/04/2009
“Eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar…”. Foi com esses versos, da música“O Portão”, que Roberto Carlos abriu seu show ontem, às 20h47, em Cachoeiro de Itapemirim (ES). Havia 14 anos que o Rei não cantava em sua cidade natal. A apresentação, no dia de seu aniversário de 68 anos, marcou o início das comemorações dos seus 50 anos.
A primeira música do show foi o clássico “Emoções”. Durante a música, Roberto, sorridente, disse “Comecei aqui”. E foi aplaudido pela plateia de 12 mil pessoas que lotou o estádio Sumaré. “Que prazer rever vocês. Depois de tantos anos, tanta saudade, tantas lembranças bonitas. Eu sinto como se estivesse começando hoje. Se bobear, estou na rádio Cachoeira, cantando no ‘Programa Infantil’ [primeiro programa em que Roberto cantou, em 1950]“, disse ao fim da primeira canção.
Na sequência, cantou outros sucessos, como “Além do Horizonte”, “Amor Perfeito” e “Eu te Amo, te Amo, te Amo”. Ao violão, Roberto mostrou a música “Detalhes”, em um arranjo intimista. Em seguida, tocou “Outra Vez”. Foi, então, surpreendido pelo público, que entoou antes dele os versos da música: “Sinto você bem perto de mim outra vez”.
A emoção contagiou a plateia e o próprio Roberto na canção “Meu Pequeno Cachoeiro”. O público cantou a letra em uníssono. Ao final, o Rei secou as lágrimas. Especialmente para o show em Cachoeiro, Roberto incluiu as canções “Aquela Casa Simples”, sobre a residência em que nasceu, “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo” –dedicada a seu pai, Robertino Braga–, e “Lady Laura”, que compôs para sua mãe, que não pode comparecer por motivos de saúde. “Esse bloco é complicado. Eu falo de tudo que tem a ver com Cachoeiro: minha família e minha infância”, disse o Rei. Outro ponto alto do show foi o hit “Como É Grande o Meu Amor por Você”, em que o público foi ao delírio e cantou junto.
Em um dos momentos mais emocionantes, os filhos de Roberto, Dudu, Ana Paula e Luciana, entraram no palco com um bolo, enquanto a plateia entoava“Parabéns a Você”. Emocionado, o Rei cortou o bolo ao som de “Emoções”. Os filhos, o maestro Eduardo Lage e uma fã ganharam um pedaço. “Vocês não sabem. Quer dizer, vocês sabem o que isso representa no meu coração, na minha vida. Esse bolo está uma maravilha”, disse.
Depois da última música, “Jesus Cristo”, o momento mais esperado pelas fãs: Roberto passou dez minutos distribuindo rosas brancas e vermelhas. “Obrigado, Cachoeiro. Quem bebeu dessa água não se esquece”, disse antes de sair do palco. O show terminou com queima de fogos.
Além do amor dos fãs, o Rei contou com a presença de 70 pessoas próximas, entre amigos e familiares, no espetáculo de ontem. Os irmãos Norma e Carlos Alberto estavam presentes.
Roberto também distribuiu ingressos da apresentação aos operários que trabalharam na reforma do estádio. Mas nem o Rei escapou dos cambistas. Apesar de a organização do evento divulgar que todos os ingressos tinham sido vendidos. Antes de o show começar, cambistas vendiam entradas para arquibancada e pista nas imediações do estádio Sumaré.
“Não sei ser rei”
O cantor chegou emocionado à cidade. Feliz por voltar à sua terra, o Rei demonstrou humildade e modéstia. “Ser rei eu não sei, não, eu só sei cantar”, disse em entrevista antes do show, ao ser questionado sobre como é ser o ídolo de um público de todas as idades. “É uma questão de amor muito séria entre eu e todos vocês”, completou o artista, sorrindo. Roberto também afirmou que o show não seria sua última apresentação emCachoeiro. Fonte Jornal Agora/SP - 20/04/2009
SOBRE O 1° SHOW EM CACHOEIRO - 23/04/09
A escolha de Cachoeiro para abrir a turnê teve um significado especial para o cantor, que chegou a chorar durante o show –quando cantou a música que fez em homenagem à cidade natal e quando foi surpreendido por um “Parabéns a Você” e um grande bolo, organizado por seus filhos. Roberto comemorou 68 anos de vida no dia 19 de Abril. “Sinto como se estivesse começando hoje”, disse o cantor, nos primeiros momentos da apresentação.
Acompanhando o Rei há mais de 30 anos, o maestro Eduardo Lages disse que ele já se emocionou nos ensaios. “Ficamos mais nervosos aqui do que em Nova York”. Lages também falou que Roberto anda mais animado. “Nos últimos dois anos, ele voltou a ser como antes”. Na época que a Maria Rita morreu [em 1999], foi muito triste.
Especialmente para o show em Cachoeiro, o Rei fez um bloco dedicado à família: incluiu “Aquela Casa Simples”, “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo” (dedicada ao pai) e “Lady Laura” (composta para a mãe).
Depois do show, no outro dia, Roberto Carlos foi visitar os principais lugares da cidade e relembrar a sua infância. Os fãs não deram sossego desde sua chegada com o jatinho no aeroporto, passando pelo hotel, no show, suas visitas pela cidade até sua despedida nas ruas e novamente aeroporto. Muitas pessoas vieram de outras cidades e Estados, para ter um contato mais próximo com o ídolo.
Fonte Jornal Agora/SP - 23/04/09
Comentário Complementar de Heitor Domingues de Oliveira 23/04/09
Matéria enviada por: Heitor Domingues de Oliveira Pesquisador da Memória Brasileira
Autor do Livro: MEMÓRIAS E FATOS NO BRASIL - 50 ANOS DE HISTÓRIA
Dando sequência ao Resgate da Memória Brasileira, que sempre procuramos estar enviando aos amigos e saudositas, “para não deixar cair no esquecimento e também fazer com que as novas gerações tomem conhecimento”, desta vez estamos divulgando um Resgate e Homenagem a toda uma geração, que vai acontecer ao vivo em nosso pais e no exterior, comOs 50 Anos da Carreira do Rei da Jovem Guarda e da Música Nacional
Na Oca do Ibirapuera, será montada també, uma Mega Exposição sobre a vida artística de Roberto Carlos, que já atingiu a marca de 100 milhões de discos vendidos.
Vocês lembram-se de como nossos pais se barbeavam?
Lembram do aparelho e da gilete, ou seja, da lâmina de barbear que eles usavam?
Minha amiga Maco encontrou em seus guardados as lâminas usadas naquela época e eu aqui estou postando as imagens para que todos possam recordar.
Lâminas da Johnson
Lâminas da Gillette
Comercial da Gillete
Propaganda em revista da Gillette
Aparelho de Barbear Mono Tech da Gillette
Propaganda da Gillete - Anos 70
Lembro de um trecho de uma música de uma propaganda da Gillette.
“Faço a barba, com Gilete Azul,
Diariamente com Gilete Azul, …”
Alguém lembra do restante?
A Loção após barba era Água Velva
E no cabelo usava-se Brilhantina
ou Óleo Glostora
Quem lembrar de outros produtos e tiver fotos, pode ter certeza que vou postar com o maior carinho.
Boa Viagem a todos.
segunda-feira, 20 de abril de 2009 por Maria Clara
Para matar a saudade dos tempos da Jovem Guarda.
20 Anos da Jovem Guarda - 1985 na Rede Globo - Video Resgatando a Memória Brasileira.
Colaboração de Heitor Domingues de Oliveira - Pesquisador da Memória Brasileira - Autor do Livro Memórias e Fatos no Brasil e no Mundo - 50 Anos de História
Saudade…
Eu tenho saudade de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudade…
Sinto saudade de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…
Sinto saudade da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter se Deus quiser…
Sinto saudade do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro…
Sinto saudade do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…
Sinto saudade de quem me deixou e de quem eu deixei de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudade dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não teve como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que tive e de outras que não tive, mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram.
Sinto saudade de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências…
Sinto saudade do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudade…
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência…
segunda-feira, 20 de abril de 2009 por Maria Clara
Para celebrar o jubileu de prata da gravação de Astrud de “Garota de Ipanema”, montou-se no Carnegie Hall uma grande festa na noite de 15 de março de 1989, com a presença de seu autor. Em 25 anos, “Garota de Ipanema” ultrapassara as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos.
Apesar de três grandes perdas afetivas naquele período (Vinicius, em julho de 1980, D. Nilza, em novembro de 1989, e tio Marcelo algumas semanas depois), a década de 80 fechou de forma auspiciosa para Tom Jobim. A de 90 seria dedicada, em grande parte, a apresentações em público no Brasil e turnês pelo mundo. Todos queriam ouvir e ver de perto o Michelangelo da Bossa Nova.
Janeiro de 1990 começou, para ele, com um show em homenagem a Vinicius, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, seguido de outro, com Milton Nascimento e Chico Buarque, marcando a inauguração da Universidade Livre da Música, em São Paulo, para a qual Tom foi nomeado reitor e, depois, Presidente de seu Conselho Diretor.
Quando, nos primeiros dias de fevereiro, lançaram no Brasil o disco “Família Jobim”, ele já estava de volta à Nova York, onde ficaria quatro meses, só retornando para participar do Festival de Inverno de Campos de Jordão, no interior de São Paulo, e num espetáculo montado por Roberto de Oliveira, no Memorial da América Latina, na capital paulista.
Em novembro, dividiu com Caetano Veloso o palco, os aplausos e o prêmio Tenco do Festival de San Remo, na Itália. Convidado pelo compositor Sammy Cahn, ingressou no fechadíssimo Hall of Fame da música popular americana, ao lado de Cole Porter, Irving Berlin, os irmãos George e Ira Gershwin e o francês Michel Legrand. De volta ao Rio, em dezembro, apresentou-se no Scala, do Rio, onde oficialmente foram lançados os três volumes do Songbook editado pela Lumiar, de Almir Chediak.
Nascido no dia em que São Paulo também faz anos, Tom aceitou de bom grado o convite de Roberto de Oliveira para estrelar um show no Ginásio Ibirapuera, em 25 de janeiro de 1991, afinal assistido por 28 mil pessoas. Para que os cariocas não ficassem com ciúmes, acertou com a prefeitura do Rio um espetáculo pelos 426 anos da cidade, em 1º de março, na ponta do Arpoador, praia de sua infância.
Algumas semanas mais tarde, subiria outra vez ao palco do Carnegie Hall para participar de um encontro musical em prol da Fundação Mata Virgem, organização não-governamental criada por Sting.
No segundo semestre, ao longo do qual compôs o fox “Querida” para a telenovela de Gilberto Braga, “O Dono do Mundo”, Tom só faria shows no Brasil: noCanecão (em junho), noTeatro Guararapes, de Recife (em julho), no Rio Centro (com a família Caymmi) e na quadra da Mangueira, para arrecadar fundos para o próximo desfile carnavalesco da escola.
Tom tinha um interesse especial no próximo desfile da Mangueira. Afinal de contas, ele era o tema de seu samba-enredo, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Entusiasmado com a homenagem (“Foi como se tivesse conquistado o Prêmio Nobel da Paz”), retribuiu com um samba, “Piano na Mangueira”, composto de parceria com Chico Buarque.
Novas emoções em público o esperavam nos meses que se seguiram ao desfile no Sambódromo: o show de abertura da Exposição Internacional de Sevilha, na Espanha, outro, para 5 mil pessoas, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, o grand finale da Rio Eco-92, no estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, e um espetáculo em torno do músico belga Toots Thielemans em Los Angeles.
Culminando, em dezembro, com um reencontro de Tom e João Gilberto, no palco do Teatro Municipal do Rio e do Palace, em São Paulo, para comemorar os 30 anos do primeiro concerto de bossa nova no Carnegie Hall, que se transformou no especial de fim de ano da TV Globo, dirigido por Walter Salles Jr. e Boninho.
Outro especial para a televisão o esperava no início do ano seguinte: “Tom & Milton”, produzido para a Bandeirantes, com Milton Nascimento. As câmeras não o deixavam em paz.
Nos últimos dias de janeiro, participara de um documentário de Rodolfo (Dodô) Brandão com mais três ilustres Antonios: o crítico literário Antonio Candido, o escritor Antônio Callado e o lexicógrafo e acadêmico Antônio Houaiss — justamente intitulado “Três Antônios e Um Jobim”. Em favor de Callado, a quem muito admirava, desistiria de concorrer, oito meses depois, à cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Letras, que pertencera a Austregésilo de Athayde. E a ABL passou a ter, pelo menos, dois Antônios (Houaiss e Callado) e nenhum Jobim. Seu único silogeu continuou sendo a Academia Nacional de Música Popular Americana, a que pertencia desde 1990.
Com um tributo à sua obra, noFree Jazz Festival, de que participaram Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves, e um novo disco, Tom encerrou a temporada de 1993. O novo disco, “Antonio Brasileiro”, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting, também seria o último de sua carreira.
Parecia mesmo uma despedida, com a presença recorde de familiares: além dos habituais (Ana, Paulo e Beth), o neto Daniel e a filha Maria Luíza, de sete anos, cantando com o pai “Samba Para Maria Luiza”. O disco só seria lançado em novembro de 1994. Até lá, Tom faria mais três shows e entraria apenas uma vez num estúdio de gravação.
Em duas noites seguidas de abril, reapareceu no Carnegie Hall: na primeira, para comemorar os 50 anos da “Verve”, na companhia de Pat Metheny e do pianista Herbie Hancock, Joe Henderson, Charles Haden e Al Foster; na segunda, para promover a Rainforest Foundation, ao lado de Sting, Elton John e Luciano Pavarotti.
Em maio, daria, em Jerusalém, seu último espetáculo, passando os quatro meses seguintes no Rio onde, onde preferiu gravar a faixa “Fly Me To the Moon” que lhe coube no segundo disco de duetos de Frank Sinatra, “Duets II”. Lançou o último trabalho de sua carreira: o CD “Antônio Brasileiro”, pelo qual recebeu os Prêmios Sharp de Melhor Disco MPB. O CD foi, também, contemplado com o Prêmio Grammy, na categoria Best Latin Jazz Performance. Ainda em 1994, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro concedeu-lhe a Medalha Pedro Ernesto.
Em 15 de setembro, três dias após gravar sua parte no dueto com Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia e avaliar o grau de comprometimento de seu sistema circulatório. Por motivos de saúde, cancelou uma gravação que agendara com Joe Henderson. Receosa de não conseguir sua presença no lançamento de um projeto que reunia um livro sobre a Mata Atlântica, com texto de Tom e 50 fotos de Ana Jobim, e um vídeo, “Mata Atlântica—Visão do Paraíso”, produzido por Walter Salles Jr. e dirigido por Flávio Tambellini, a editora Index adiou tudo para junho do ano seguinte.
Num dos vários exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga—e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8, enquanto convalescia da cirurgia, teve uma parada cardíaca, às 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal.
Seu corpo desembarcou no Rio no dia 9 e foi velado no Jardim Botânico, dali seguindo para o cemitério de São João Batista, após desfilar em cortejo pela cidade que ele tanto amou e cantou em suas canções.
“A morte de Tom Jobim não foi apenas a queda de uma árvore, foi a derrubada de uma floresta”, escreveu Arnaldo Jabor, resumindo à perfeição um sentimento universal.
É difícil escolher os mais significativos entre os mais de 50 discos de que participou, como intérprete ou arranjador. Todos eles têm algo de inovador, de diferente e especial.
Biografias foram lançadas, entre elas Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, de sua irmã Helena Jobim, Antônio Carlos Jobim - Uma Biografia, de Sérgio Cabral, e Tons sobre Tom, de Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado.
O selo Revivendo, de Curitiba (PR), lançou o CD “Meus primeiros passos e compassos”, contendo as primeiras gravações de suas músicas.
Inexplicavelmente, a genialidade de Tom Jobim continua sempre mais reconhecida nos palcos internacionais que entre os brasileiros, que estão em melhores condições de apreciar a beleza de suas canções, por exemplo no que se refere à concatenação melodia e letra. Como traduzir “Caingá candeia, é o Matita Pereira(…)” “Passarinho na mão, pedra de atiradeira(…)” da canção “Águas de Março”?
Em 2000, foi lançada a caixa “Raros Compassos” (Revivendo), contendo três CDs com músicas do início de sua carreira, interpretadas por vários artistas. Nesse mesmo ano, foi lançado o CD “Tom Canta Vinicius”, com a gravação ao vivo do show realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), em janeiro de 1990. A cantora Gal Costa lançou, ainda, um CD interpretando suas composições, projeto que idealizou quando o maestro ainda vivia.
Diversas homenagens póstumas foram realizadas, como a polêmica mudança do nome da Avenida Vieira Souto, situada em Ipanema (RJ), para Avenida Tom Jobim. Com isso se criaria a esquina Tom Jobim com Vinicius de Moraes, antiga Rua Montenegro, onde situava-se o Bar do Veloso, hoje Garota de Ipanema, muito freqüentado por Tom e Vinicius e onde nasceu a inspiração para compor “Garota de Ipanema”. As placas chegaram a ser trocadas, mas a família Vieira Souto apelou para a justiça e a troca foi desfeita. Mais tarde, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro passou a se chamar Aeroporto Internacional Maestro Antônio Carlos Jobim, por pressão junto ao Congresso Nacional de uma comissão de notáveis, formada por Chico Buarque, Oscar Niemeyer, João Ubaldo Ribeiro, Antonio Candido, Antonio Houaiss e Edu Lobo, criada e pessoalmente coordenada pelo crítico Ricardo Cravo Albin. Foi criado o Parque Tom Jobim, na Lagoa Rodrigo de Freitas e lançada a caixa “Tom Jobim - inédito”, contendo dois CDs.
E ainda em 2000, foi lançada a edição de luxo do “Cancioneiro Jobim”, contendo partituras de 42 de suas composições, textos biográficos, fotos e reproduções de manuscritos. Esgotada a primeira edição, a publicação ganhou novo formato, dividido em dois volumes, um contendo texto biográfico e imagens e o outro contendo as partituras.
Em 2001, foi lançado o “Cancioneiro Jobim - obras completas”, reunindo partituras e letras de todas as músicas do maestro divididas em 5 volumes, com ilustração de Elizabeth Jobim. Nesse mesmo ano, foi inaugurado, com a exposição “Nas Trilhas do Tom”, o Instituto Antonio Carlos Jobim, presidido por Paulo Jobim e dirigido por Ana Lontra Jobim, Elizabeth Jobim e Wanda Mangia Klabin, tornando acessível a músicos e pesquisadores a obra e o acervo particular do compositor.
Em 2003, foram lançados o CD e o DVD “Jobim Sinfônico”, contendo suas peças orquestrais. O projeto foi idealizado e produzido por Mario Adnet e Paulo Jobim, registrando o espetáculo homônimo gravado em 2002, na Sala São Paulo (SP), com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, sob a regência de Roberto Minczuk, assistente da Filarmônica de Nova York, e a participação de Milton Nascimento e 80 músicos.
Ainda em 2003, chegou às livrarias o “Cancioneiro Vinicius de Moraes: Orfeu” (Jobim Music), songbook do espetáculo “Orfeu da Conceição”, encenado em 1956 no Teatro Municipal, trazendo 14 partituras das canções compostas com Vinicius para o musical, além de desenhos de Carlos Leão e Carlos Scliar, cartazes, críticas, capas de discos, textos de Sérgio Augusto, Susana de Moraes,Paulo Jobim e Cacá Diégues, uma edição assinada por Maria Lúcia Rangel dos textos do poeta sobre a criação da peça e a correspondência mantida com Vinicius sobre a primeira adaptação da obra para o cinema, realizada por Marcel Camus, em 1959, com o título de “Orfeu negro”.
Estrada do Sol ensaio na casa de Tom
Em 2004, o crítico Ricardo Cravo Albin propôs à Associação Comercial do Rio de Janeiro que se promovesse junto ao Aeroporto Maestro Antônio Carlos Jobim um memorial a ele dedicado, por ocasião dos 10 anos de seu falecimento.
Entre os artistas estrangeiros que gravaram suas canções estão Frank Sinatra, Miles Davis, Stan Getz, Quincy Jones, Dizzie Gillespie, Charlie Byrd, Sara Vaughan, Clare Fischer, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Oscar Peterson, Joe Pass e Sting, entre outros.
Em 2004, foi lançado o CD “Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo Piano e Voz”, registro do recital apresentado pelo compositor, em 1981, no Palácio das Artes (BH).
No ano seguinte, “The Girl from Ipanema” histórica gravação de Astrud Gilberto, ao lado de João Gilberto, Stan Getz e do próprio compositor, realizada em 1963, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano. Também em 2005, a Jobim Biscoito Fino relançou o álbum duplo “Tom Jobim Inédito”. O disco, gravado em 1987 para a Odebrecht, com produção de Jairo Severiano e Vera Alencar, teve distribuição comercial em tiragem limitada, no final de 1995.
Em 2006, foi lançado, também pela Jobim Biscoito Fino, o DVD “Tom Jobim ao vivo em Montreal”, registro do show gravado em 1986, no Festival Internacional de Jazz daquela cidade. Ao lado do compositor, os músicos Jaques Morelenbaum (violoncelo), Paulo Jobim (violão), Danilo Caymmi (flauta), Tião Neto (baixo) e Paulo Braga (bateria), e do vocal de Paula Morelenbaum, Maucha Adnet, Simone Caymmi, Ana Jobim e Elizabeth Jobim. O DVD traz ainda uma entrevista concedida pelo compositor em sua casa, no bairro do Jardim Botânico (RJ), em 1981, ao jornalista Roberto D’Ávila.
Em 2007, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD “Tom Jobim ao Vivo em Montreal”, contendo o áudio do DVD homônimo, lançado no ano anterior. No repertório, suas canções “Água de beber”, “Chega de saudade”, “A felicidade” e “Garota de Ipanema”, todas com Vinicius de Moraes, “Samba de uma nota só” (c/ Newton Mendonça), “Two kites”, “Wave”, “Borzeguim”, “Falando de amor”, “Gabriela”, “Samba do avião” e “Waters of March”.
Em 2007 foi lançado o DVD “A casa do Tom – Mundo, Monde, Mondo”, filme de Ana Jobim que conta a história de amor do compositor com a música, a família e a natureza. Narrado pela própria Ana Jobim, o documentário inclui falas, fotos, filmes caseiros e filmes profissionais, poemas, uma longa entrevista e uma trilha sonora composta de 24 músicas.
Antônio Carlos Jobim é até hoje o nome mais respeitado, acatado e até venerado pelas novas gerações de músicos e compositores do Brasil. Embora com todo esse sucesso, Tom continuou afável e simples com as pessoas que o procuravam: sorriso franco, roupas e cabelos sempre descuidados, ele nunca escondeu sua paixão pela vida simples. E as coisas simples de que Tom se embebeu fizeram-no também um poeta, além do grande compositor que sempre foi. Seu último grande sucesso popular refletia a excelente poesia que também o habitou: são os versos de “Águas de março” para os quais Tom compôs uma de suas mais simples, despojadas e ao mesmo tempo mais adoráveis melodias. (Ricardo Cravo Albin)
Quando o especial com Sinatra foi ao ar, em novembro, Tom já havia computado outro feito histórico: sua primeira parceria com Chico Buarque, “Retrato em Branco e Preto”, que lá fora, em versão instrumental, já era conhecida com o título de “Zíngaro”. Outra façanha teria acrescentado ao seu currículo naquele ano se tivesse cedido aos insistentes apelos do cineasta Glauber Rocha para protagonizar o filme “Terra em Transe”.
Por uns tempos Chico Buarque seria o novo Vinícius de Tom. Juntos apareceram num show “Discomunal”, ao lado de Deodato, Baden Powell e outros, inaugurando uma temporada cujo ponto alto seria a inesperada vitória de “Sabiá” no III Festival Internacional da Canção.
Tom e Chico nem pretendiam participar do festival. Inscrever “Sabiá” foi a saída que Tom encontrou para livrar-se de um fardo, para ele, ainda mais pesado: ser membro do júri que apontaria as canções vencedoras. O triunfo da nova parceria de Tom e Chico teve o efeito de uma bomba e as feridas que abriu não cicatrizaram de um dia pro outro.
No festival seguinte, 1968, outra bomba. Irritados com os desmandos da censura, Vinícius, Chico, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcos Valle, Sérgio Ricardo, Paulinho da Viola, Rui Guerra, José Carlos Capinam, Baden Powell, Milton Nascimento, Egberto Gismonti e outros decidiram boicotar o evento. Tom adere ao boicote e entra para a lista negra da ditadura militar, que desde 1964 se perpetuava no poder e em 1970 mandou prendê-lo “para prestar depoimentos”.
A situação política do país se agravava e Tom encontrou sua válvula de escape na tela, compondo trilhas musicais para filmes brasileiros “A Casa Assassinada”, pela qual seria premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 1971 e estrangeiros “Os Aventureiros”, cujos temas escreveu numa luxuosa casa de três andares em Londres, alugada pela Paramount.
Uma das faixas da trilha de “Os Aventureiros”, uma valsa intitulada “Children’s Game”, seria incorporada ao LP “Stone Flower”, com letra em português e outro nome, “Chovendo na Roseira”(“Double Rainbow” para os americanos). De certo modo, estava oficialmente inaugurada a fase ecológica de Tom Jobim, que duraria mais do que os quatro anos (1972-1976) em que lançou “Águas de Março” e dois LPs com nomes de pássaros, “Matita Perê” e “Urubu”, recheados de canções inspiradas ou voltadas para a natureza, como “Sabiá”, “Tempo do Mar”, “Rancho nas Nuvens”, “Nuvens Douradas”, “Boto” e “Correnteza”.
Escrita no retiro de Poço Fundo e lançada de forma singular — num compacto encartado na primeira edição do “Disco de Bolso do Pasquim”— “Águas de Março” se transformaria num dos mais instantâneos e retumbantes sucessos do compositor. Na gravação original, feita na Semana Santa de 1972, seu autor apenas cantou, acompanhado de quatro flautistas (Bebeto, seu filho, Paulinho Jobim, Franklin e Paulo Guimarães), João Palma na percussão, Novelli no contrabaixo e Eduardo Ataíde no violão.
Só naquele ano, a nova obra-prima de Tom ganharia quase dez intérpretes, no Brasil e na América, nenhuma tão elogiada quanto a de Elis Regina em dueto com o autor, no LP “Elis & Tom”, gravado em Los Angeles e lançado em 1974. Chico Buarque chegou a dizer que às vezes achava “Águas de Março” o samba mais bonito do mundo. Ao ouvir sua versão em inglês, feita pelo próprio Tom, o crítico Leonard Feather não se conteve: “É uma das dez músicas mais bonitas do século”.
Recebeu, por três vezes, o prêmio da BMI - Broadcast Music Inc., como Great National Popularity, com “The Girl From Ipanema” (versão de “Garota de Ipanema”), em 1970, “Meditation” (versão de “Meditação”), em 1974, e “Desafinado”, em 1977.
No mesmo ano em que gravou o fundamental “Urubu”, 1976, com músicos da Sinfônica de Nova York e arranjos de Claus Ogerman, Tom conheceu Ana Beatriz Lontra, fotógrafa de 19 anos. Empolgou-se como um adolescente, cobriu-a de versos galantes, mas só começaram a namorar depois que Tom afinal separou-se de Thereza, em 1977.
Em pouco tempo, Ana se ligaria ao namorado também profissionalmente, integrando um coral familiar por ele montado para um Show no Canecão, que Aloysio de Oliveira produziu com mais três estrelas: Vinícius de Moraes (fazendo sua rentrée nos palcos cariocas após 15 anos de ausência), Toquinho e Miúcha (que acabara de gravar o LP “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”). Ao lado de Ana, a filha de Tom, Beth, e três irmãs de Chico, Pii, Cristina e Bahia.
Tamanha foi a acolhida do público que o espetáculo, programado para ficar quatro semanas em cartaz, só saiu do Canecão oito meses depois, rumando para São Paulo, onde lotou o Anhembi durante um mês, e para o Uruguai, onde por várias noites agitou um Cassino de Mar del Plata. Sua carreira, contudo, se estenderia até Paris (dez apresentações no Olympia) e várias cidades da Itália e Suiça. Mas antes de abafar na Europa com o show de Aloysio, Tom e Ana passaram três meses de lua-de-mel no hotel Adams de Nova York, onde Tom encontrou tempo para acrescentar mais duas pérolas ao seu patrimônio musical, “Você Vai Ver” e “Falando de Amor”. Também foi naquele hotel que ele escreveu a letra em inglês de “Águas de Março”.
Antes de 1978 chegar ao fim, Tom e Ana alugam uma casa na rua Peri, no Jardim Botânico, onde irão morar os próximos seis anos. Nos quatro anos seguintes, Tom lançou o álbum duplo “Terra Brasilis”, reatou sua parceria com Chico Buarque, teve seu primeiro filho com Ana, João Francisco, dividiu um disco com Edu Lobo (“Tom & Edu, Edu & Tom”), ganhou o prêmio Shell de melhor compositor de 1982, na festa realizada na Sala Cecília Meireles (RJ) e começou a construir uma casa no alto do Jardim Botânico.
O começo da década de 80 foi marcado por homenagens à sua obra e à sua personalidade: além de um especial em quatro programas na TV Manchete, “A Música Segundo Tom Jobim”, dirigido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos, em 1984, foi nomeado Conselheiro Cultural do Estado do Rio de Janeiro pelo antropólogo e vice-governador Darcy Ribeiro. E também por uma intensa atividade no cinema e na televisão.
A valsa “Luíza” foi tema da telenovela “Brilhante” e “Passarim”, uma das músicas que compôs para a minissérie “O Tempo e o Vento”. Para o filme de Arnaldo Jabor, “Eu Te Amo”, Tom fez uma valsa homônima, de parceria com Chico Buarque. Mas em “Gabriela” (1982), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Fonte da Saudade” (1985) sua participação foi muito além do tema principal.
Outras trilhas sonoras para o cinema, contudo, tiveram de ser recusadas ou adiadas para que o maestro pudesse atender a um convite irrecusável: tocar acompanhado da ORF Sinfonietta de Viena, na Wienner Konzerthausgeselschaft. Receoso de um descompasso, pediu para levar o cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Tião Neto e o baterista Paulo Braga. Dispensou os metais, substituindo-os por vozes femininas, as de Ana e Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo.
Em 1984, foi convidado pelo diretor Marco Altberg para fazer a trilha sonora do filme “Fonte da Saudade”, baseado no romance “Trilogia do Assombro”, de Helena Jobim. Com esta trilha, ganhou o Kikitode Melhor Música no Festival de Gramado. Nesse mesmo ano, fez a trilha para o filme “O Tempo e o Vento”, baseado no romance homônimo de Érico Veríssimo. Ainda em 1984, formou a “Banda Nova“, grupo que o acompanharia em shows e gravações até o fim de sua vida. Ao lado de Paulo Jobim (violão), Danilo Caymmi (flauta e voz), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Tião Neto (baixo), Paulo Braga (bateria) e (coro) Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Paula Morelenbaum, Maucha Adnet e Simone Caymmi, realizou show no Carnegie Hall, em Nova York.
Em 1985, Tom voltou ao Carnegie Hall, onde cantou diante de 3 mil pessoas, abrindo uma longa temporada de shows, alguns no Brasil (Rio, São Paulo e Salvador), outros na Europa (nos festivais de Gasteiz e Montreux, em Madri), que se prolongaria, no ano seguinte, com uma apresentação no Avery Fisher Hall, de Nova York, com a Banda Nova e os violonistas Carlos Barbosa Lima e Sharon Isbin, outra no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, seguidas de um turnê pela costa oeste dos Estados Unidos, Canadá e Japão.
Entre uma viagem e outra, ainda encontrou tempo para participar, ao lado de Astor Piazzola, de um especial de Caetano Veloso e Chico Buarque para a TV Globo, receber a comenda de Grand Commandeur des Arts et des Lettres do governo francês, entregue, pessoalmente, em Brasília, pelo ministro da Cultura da França, Jack Lang, pôr música em dois poemas de Fernando Pessoa, compor “Pato Preto” para um documentário norueguês (“Man at Play”) sobre brincadeiras de crianças em todo o mundo, terminar a música da minissérie da TV Globo, “Anos Dourados”, e iniciar as gravações do LP “Passarim”, pelo qual ganharia o seu primeiro disco de ouro.
1987 foi o ano em que Tom começou sexagenário e, como ele próprio gostava de dizer, pai-avô, pois em março nasceu Maria Luiza Helena, sua filha com Ana Jobim. Em homenagem aos seus 60 anos, a TVGlobo dedicou-lhe um especial, “Antônio, o Brasileiro”, gravado no Brasil e nos Estados Unidos, e a Companhia Brasileira de Projetos e Obras, do grupo Odebrecht, ofereceu de brinde natalino um álbum biográfico, escrito por Sérgio Cabral, acompanhado de um disco duplo, produzido pelo pesquisador Jairo Severiano, no qual Tom passava em revista alguns de seus clássicos, com novos arranjos. O livro seguinte seria uma produção doméstica: “Ensaio Poético”, com fotos de Ana Jobim, patrocinado pela IBM e lançado pela Record em 1988, pouco antes de chegar às livrarias uma coletânea de textos e poemas de Tom, editada pela Expressão e Cultura, “Jardim Botânico do Rio de Janeiro” e ilustrada com fotos de Zeca Araújo.
Tudo começou quando uma saudade insistente de lugares, pessoas e momentos vividos, guardados em nossa memória que não nos abandona e muitas vezes nos deixa melancólicos, mas também nos traz alegrias que gostaríamos de reviver.
Pois tudo que vivemos não pode ser apagado com o passar do tempo, embora o tempo seja implacável, hoje o cenário é outro, a performance é outra, mas ainda nos resta sonhar e creio que é impossível viver sem sonhos.